A visão do egresso na UFSCar Sorocaba

Revisando o questionário respondido pelos egressos da UFSCar de Sorocaba pudemos gerar alguns gráficos para melhor representar os resultados:











Apesar de poucas as respostas no questionário conseguimos analisar alguns dados sobre a visão do engenheiro na faculdade e depois do contato com o mercado de trabalho. Em primeira instância é perguntado ao ex-aluno qual seria seu critério de escolha para o curso de engenharia de produção, a pesquisa mostrou que a maioria procura a flexibilidade que o curso traz, não limitando o trabalhador a uma área específica como ocorre em alguns casos da engenharia. E quanto ao curso em si, em torno de 70% dos alunos tiveram suas expectativas consolidadas, mostrando que os ingressantes tem uma noção básica bem consolidada sobre o que é ministrado em engenharia de produção.
Durante o curso, o discente tem uma certa visão da sua área de atuação, no questionário a maioria imagina trabalhar em industrias, mas ao perguntarmos se tal visão havia se consolidado nos surpreendemos que mais de 60% afirma responde de forma negativa. Consentimos que o mercado de trabalho nem sempre dá espaço para a escolha de área por parte do trabalhador, além disso, muitos também reclamaram do tempo de adaptação em que as empresas subordinam os recém formados, estes que almejavam por cargos de alto escalão da forma mais rápida possível, constatando que o curso preparava pra tais funções.
Quanto as empresas procuradas para atuação, o egresso procura nessas a possibilidade de enaltecer seu trabalho, ascender de cargos e ter prestigio por isso, além de um bom salário. Desta maneira difere-se apenas os perfis dos trabalhadores que preferem empresas mais estáveis (Toyota, Unilever, etc.) ou empresas rotativas que remuneram um pouco melhor (ABInbev, Itaú, consultoria, etc.), ambos em iguais proporções. Próximo de 20% preferem a Academia, procurando trabalhar com pesquisas e 10% não tem preferência definida, aceitam cargos nas empresas que mais combinam com seu caráter e princípios, além de atender suas expectativas salariais.


Educação em Engenharia de Produção: Novas maneiras de ensinar

            É comum nas engenharias o aprendizado passivo seja predominante como forma de transmitir o conhecimento, entretanto, quais são os métodos experimentados por instituições para aprimorar a forma de construir o conhecimento? Vamos ver alguns exemplos
            Uma dos casos de inovação vem da revista Informs, em que se propõe a utilização de jogos para o ensino da pesquisa operacional. A ideia se sustenta em facilitar o conhecimento através de jogos de tabuleiro, auxiliando o processo de visualização de problemas, de forma que o aprendizado flua de forma agradável aos alunos. Além disso, a forma diferente de abordagem ainda serviu para aumentar a criatividade dos alunos.
            Outro método muito utilizado é o PBL, problem-based learning – diferentemente da forma tradicional de ensino, chamada de aprendizado passivo, o PBL é uma metodologia para o conhecimento de forma ativa – através de atividades práticas e resolução de problemas. Cabe aqui, comentar que o PBL já é utilizado nas universidades, como no caso da UFSCar Sorocaba, em que o método já foi aplicado em disciplinas como Química Orgânica.
Neste caso em específico, os alunos foram divididos em grupos e desafiados a construir um destilador solar, para aproveitando a energia incidente disponível para um processo de grande interesse, como a purificação da água. Nesta atividade, conhecimentos necessários para a construção do destilador, como por exemplo, o que é o processo físico de  destilação, seriam adquiridos conforme o projeto fosse desenvolvido.

Por último fica o exemplo da 42, universidade da Califórnia que não dispõe de nenhum professor ou livro – alunos podem escolher projetos, trabalhando em grupos em salas amplas, sendo avaliados aleatoriamente por algum de seus colegas. Durante a formação, o aluno passará por níveis, e se forma ao atingir o nível 21, que leva de 3 a 5 anos – o método, chamado também de aprendizado colaborativo, almeja que os estudantes desenvolvam a confiança necessária para buscar soluções de forma autônoma, incentivando a criatividade e o trabalho em grupo.

Afinal, e o que é o Engenheiro de Produção?

Agora que conhecemos mais sobre a história da Engenharia de Produção, vamos conhecer mais sobre o que faz este profissional. Veja, no link abaixo:
               
Ficou interessado? Vamos então, conhecer mais sobre o curso de Engenharia de Produção:
A Engenharia de Produção, como definido pela ABEPRO, a Associação Brasileira de Engenharia de Produção, divide-se em 10 sub-áreas:
·         Gerência de Produção
·         Qualidade
·         Gestão Econômica
·         Ergonomia e Segurança do Trabalho
·         Engenharia do Produto
·         Pesquisa Operacional
·         Estratégia e Organizações
·         Gestão da Tecnologia
·         Sistemas de Informação
·         Gestão Ambiental
Com esta formação abrangente, o profissional em Engenharia de Produção consegue atuar não somente em indústrias e ambientes produtivos tradicionais, mas instituições como bancos e até hospitais são possibilidades. Vejamos agora mais sobre a profissão através do link:
https://www.youtube.com/watch?v=gZH5--oH3yU




A visão do egresso na UFSCar Sorocaba - Após a formação

Após toda essa caminhada de escavação das percepções dos discentes chegamos ao nosso último estágio que foi tentar destacar entre as respostas quais são as ideias atuais de mercado e atuação de um engenheiro de produção (ou mesmo, se estes profissionais atuam conforme seu o imaginado).
Foi possível verificar que ao mesmo tempo o fator "abrangência", que sempre é relacionado ao curso de engenharia de produção, se mostra a maior crítica de muitos ex-alunos no sentido que isto pode dificultar o ingresso e consolidação no mercado de trabalho.

Além disso, em todas as respostas, as pessoas imaginaram que suas atuações estariam principalmente relacionadas a "indústrias", grande qualificação e visibilidade. Mesmo assim, 60% dos participantes afirmaram que esta visão não se consolidou e para eles isto ocorreu por conta da atuação real estar principalmente em outros setores produtivos, sendo relatada também a dificuldade por conta das crises financeiras e seus frutos subsequentes. Algumas respostas também problematizam o modelo de gestão que dá apoio à maior flexibilidade dos funcionários, colocando isto como um redutor na perspectiva de aproveitamento da vida além do trabalho, ou seja, "[...] a alta flexibilidade faz com que você viva para o trabalho."
Agora na pesquisa realizada por Sigahi et al.*, apesar das três principais áreas de atuação buscadas pelos alunos serem de: bens de consumo, consultoria e mercado financeiro; as respostas dos egressos participantes revelaram que as três principais áreas que um engenheiro de produção formado atua são: logística, engenharia de processos e planejamento e controle da produção. As habilidades mais importantes desenvolvidas durante o curso, destacadas pelos egressos, foram: a capacidade de identificar, modelar e resolver problemas, de trabalhar em equipes multidisciplinares, a comunicação oral e escrita e a disposição para autoaprendizado e educação continuada.

Visando o futuro, os principais cargos que os discentes buscam atingir após 5 anos de formados são: gerente, engenheiro e mestre. Entretanto, os cargos atingidos pelos entrevistados com 4 ou 5 anos após formados são: analista, coordenador e engenheiro. Na pesquisa realizada por este grupo: 10% busca atuação acadêmica, 20% busca empresas que garantem estabilidade, 20% startups e empreendedorismo, 20% não se importa com o que irá atuar e 30% empresas com grandes metas e bônus, em ônus a alta rotatividade.

A nossa jornada, nesta visão ainda macro da dinâmica entre ideais de vida e ensino, e também ensino e mercado de trabalho, acaba por aqui. Nossa busca não foi por esclarecer todas as dúvidas que o leitor possa vir a ter e sim mostrar por meio de dados que existem diversas possibilidades de correlação entre estas variáveis, e isto não é sempre visível para todos, por isso a importância de mostrar de forma quantitativa. Esperamos que tenham gostado!!

*SIGAHI, T. F. A. C. ; FERRARINI, C. F. ; BORRAS, M. A. A. ; SALTORATO, P. . Ensino e formação de engenheiros de produção: uma análise da percepção de discentes, egressos e docentes de um curso de graduação em uma universidade pública brasileira. In: XXXVI Encontro Nacional de Engenharia de Produção - Contribuições da Engenharia de Produção para Melhores Práticas de Gestão e Modernização do Brasil, 2016, João Pessoa. Anais do XXXVI Encontro Nacional de Engenharia de Produção, 2016.